DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: A FOME, A MORTALIDADE E A DESIGUALDADE TEM COR E CLASSE SOCIAL.

Dia 20 de novembro é celebrado o dia da consciência negra, data que foi anexada no calendário escolar desde 2003 e que foi instituída nacionalmente em 2011. A data escolhida é em homenagem a um dos maiores líderes quilombolas da história do Brasil: Zumbi dos Palmares que foi brutalmente assassinado por bandeirantes portugueses em 20 de novembro de 1695, tendo sua cabeça decepada e exposta em praça pública. Zumbi é considerado um dos maiores líderes da nossa história. Como símbolo da luta contra a escravidão, também inspirou a luta pela liberdade de religião e pela prática da cultura africana no país.

 

O Dia da Consciência Negra marca a importância de discutir e agir para combater o racismo e a desigualdade social no Brasil e também reflete sobre o avanço da luta negra e a celebração da cultura afro-brasileira. Mas, é emergente refletirmos sobre a atual situação da população preta no Brasil: A fome, a mortalidade e a desigualdade racial é gritante em um país onde 43,4% da população se considera como parda e 7,5% como preta.

Este ano, o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), juntamente com o fórum Brasileiro de segurança pública lançou o relatório: Atlas da Violência 2021, que apresentou informações tristes em relação a desigualdade racial existentes no Brasil:

“Quando olhamos os dados sobre desigualdade racial que ainda existem no Brasil, a memória associada à consciência negra mostra sua relevância. Em 2019, os negros (soma dos pretos e pardos da classificação do IBGE) representaram 77% das vítimas de homicídios, com uma taxa de homicídios por 100 mil habitantes de 29,2. Comparativamente, entre os não negros (soma dos amarelos, brancos e indígenas) a taxa foi de 11,2 para cada 100 mil, o que significa que a chance de um negro ser assassinado é 2,6 vezes superior àquela de uma pessoa não negra.”

Ou seja, no ano passado, a incidência de violência fatal contra negros foi 162% maior do que entre não negros. Da mesma forma, as mulheres negras representavam 66,0% de todas as mulheres assassinadas no Brasil, com uma taxa de mortalidade de 4,1 por 100.000 pessoas, em comparação com 2,5 para as mulheres não negras, de acordo com o Atlas da Violência 2021.

A pandemia atinge principalmente atividades nas quais negros e pardos estão mais envolvidos: comércio, limpeza, serviços e construção civil. Durante a pandemia, o número de jovens desempregados de 18 a 24 anos aumentou, atingindo 27,1% da média nacional, sendo a maioria mulheres negras e pardas. Outro sério impacto desta doença é o índice de mortalidade entre os negros. Às vezes, as medidas de controle de saneamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) não estão disponíveis, como lavar as mãos com água potável e manter-se afastado de outras pessoas. Segundo a Associação Médica da Família e Comunidade do Brasil, 67% dos brasileiros totalmente dependentes do SUS (Sistema Único de Saúde) são negros, e essas pessoas também são a maioria dos portadores de diabetes, tuberculose, hipertensão e doença renal crônica no país.

A sociedade brasileira e as lideranças precisam refletir sobre qual projeto de nação nós queremos e buscamos. Se continuarmos no caminho do ódio e da segregação, vamos gerar no futuro uma sociedade cada vez mais desigual e mais excludente. As estruturas racistas que criaram a nossa sociedade precisam ser destruídas para dar espaço a pluralidade que forma o povo brasileiro e assim criar uma nova base, buscando a reparação justa e necessária para a população preta, que ergueu e construiu esse país, a base de suor, sangue e sofrimento.

Texto: Tayna Silva e João Vítor Rodrigues
Arte: Tayna Silva
Fonte: oxfam.com.br

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