DESERTO URBANO

Os personagens do tempo litúrgico de preparação ao Natal nos alertam. Ontem, 07/12, Segundo Domingo do Advento, lá estavam Isaías e João Batista. Em pleno cenário, “a voz que clama no deserto”!

A cidade e a metrópole representam o deserto do mundo moderno, da vida contemporânea. Rios turbulentos de gente, caminhando de um lado para o outro, passos e olhares que se cruzam e recruzam, milhares e milhões de pessoas tropeçando umas nas outras – e no meio desse vaivém diário, festivo e frenético se ocultam o medo, a dor, a fome, o grito sufocado, a solidão.

No afã da correria e na disputa por espaço, se misturam abandono e indiferença. Cabisbaixa e a toda pressa, cada pessoa segue concentrada no próprio umbigo, como se fosse o centro do universo. Tantos centros quantos são os habitantes.

O que perdeu essa gente? O que busca? Por que corre como se o mundo estivesse  prestes a acabar? Poucos saberiam responder essas perguntas. Importante é não perder o trem da moda, o endereço do consumo, o rumo da multidão. Muito toque e pouco afeto, muitas palavras e pouco diálogo, muito ruído e pouca escuta, muitas luzes e pouca iluminação. Cega e surda segue a multidão.

Multidão e solidão de braços dados. Onde poderá o indivíduo encontrar melhor lugar para se esconder do que nesses rios turvos pela tormenta? A aflição e a angústia, a tristeza e a alegria, o sonho e a luta ali se batem e combatem.

Prepara-se o Natal. Uma luz inusitada brilha no olhar, nas roupas, nas lojas, nas casas… Não obstante tantos cidadãos e cidadãs, estejam excluídos desse palco profusamente iluminado (as “Gazas” de todo planeta, no plural), impera a esperança. Uma esperança um tanto quanto envergonhada, como o Menino Jesus frente ao triunfo do Papai Noel – mas sempre uma esperança!

 

Alfredo J. Gonçalves, cs. Assessor do SPM, SP, 08/12/2025

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